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A Construção Da Convivência E Do Conflito

"Pedro Leonardo" (2018-04-07)

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RESUMO No ano do centenário de seu nascimento, a obra de João Batista Vilanova Artigas (1915-1985) volta à cena. Este ensaio destaca a incorporação do combate pela arquitetura da "instituição paulista" e chama a atenção pra relações entre público e privado no trabalho de Artigas e pela obra de artistas como Lygia Clark e Hélio Oiticica. Tomado pelo torpor de noites mal dormidas, e pela clara emoção de estar convivendo naquele edifício "sui generis", ele desconsiderou completamente as imagens terríveis daqueles versos e apostou: "cara, é a FAU!". É claro que ele pensou pela imagem do monumento sem porta, que concretamente caracteriza a FAU.


Muito significativamente, em 1983, a congregação de professores da escola barrou o pleito pra transformá-lo em professor titular, o que lhe restituiria a situação profissional anterior à cassação, reparando em divisão a injustiça sofrida. O front era de imediato na própria universidade, no limiar da reabertura democrática do estado. No ano seguinte, Artigas opta, constrangido, se submeter a um concurso de titulação, ao desfecho do qual declara, enfurecido, ter sido vítima de uma "molecagem medieval". Seis meses depois, em janeiro de 1985, vinha a falecer antes de completar setenta anos.


Teu legado, todavia, permanece muito vivo. Vilanova Artigas é o criador de uma verdadeira "instituição" de arquitetura, a chamada "universidade paulista". Um legado que se transmite de formação em formação há décadas, e que apresenta o tom da elaboração arquitetônica brasileira contemporânea. Em um registro filmado de 1978, que podes ser visto pela "Ocupação Vilanova Artigas", no Itaú Cultural até nove/oito, o arquiteto explica sua intenção ao lançar o edifício da FAU.


Em suas frases, diz ter buscado a simplicidade total, sem a nossa página inicial pequeno concessão a nenhum barroquismo, construindo uma entrada que é um peristilo clássico, como um templo grego sem porta. Raciocínio que termina com uma frase lapidar, que até hoje razão ódio em todos aqueles que sentem-se desconfortáveis no prédio: "Só entram deuses na FAU. Lá não tem gelado nem sequer calor!".


Essa é, efetivamente, uma frase célebre, sobretudo se considerarmos que o seu autor é um comunista ateu. O prédio da FAU, acima de tudo, inspira respeito e simpatia pelo jeito como nos educa. Um edifício feito sem a divisão hierárquica entre salas e corredores, no qual todos os espaços têm a qualidade de lugares de estar e de desfrute, como no caso de tuas famosas rampas.


Uma faculdade que carrega consigo um perfeito civilizatório, relativo à relevância e à responsabilidade do viver compartilhado, no qual a independência não é um atributo descomplicado nem ao menos instantâneo, contudo algo que se conquista aos poucos. Já que ali "o sujeito se instrui, se urbaniza, ganha espírito de equipe", completa. É importante frisar nesse lugar a ideia de urbanidade, pois que a imensa autonomia que o edifício da FAU inspira exige uma mediação fundamental, que é o respeito ao espaço do outro.


Está a nossa página inicialí uma das características centrais da chamada "instituição paulista" de arquitetura: o conflito ao predomínio do doméstico e do privado, no Brasil, a respeito da instância pública. É o que, pela hipótese social, chamamos de patrimonialismo: a tendência, muito própria a certos países colonizados e escravocratas, a cuidar os focos públicos com base nas relações pessoais de favor. Não por sorte Artigas projetou tantas casas. Casas que se contrapõem frontalmente ao idílio doméstico, ao fetiche da intimidade, às ideias de privacidade, segredo e compartimentação, ao nanico conforto burguês, com seus bibelôs e pelúcias.


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Trata-se, no fundo, de uma revisão da relação habitual entre programa doméstico e lote urbano em São Paulo, herdeira tanto do paradigma dos palacetes ecléticos da elite quanto da acanhada tipologia rural importada sem mediações pra cidade. Com isto, Artigas abole, a título de exemplo, o comprido corredor lateral que costumava transportar o automóvel pra uma garagem situada pela divisão de trás das casas, próximo aos aposentos de serviço. Aproveitando a oportunidade, visualize assim como este outro site, trata de um questão referente ao que escrevo nessa postagem, podes ser útil a leitura: a nossa página inicial.


Ao mesmo tempo, à medida que unifica toda a construção sob uma cobertura única, progride ao máximo possível o edifício a respeito os limites do lote, absorvendo-o no interior da residência na forma de jardins internos. De cada maneira, a ideia de contrariar a rotina convencional em nome de uma moral rígida é muito deve. A resposta não é funcional nem ao menos técnica.


Algumas das casas de Artigas se parecem com objetos urbanos, obras públicas, como estações rodoviárias, fóruns e escolas. Sérgio Ferro, teu discípulo dissidente, viria a criticar o que entendeu como um descompasso entre ideologia e realidade. No fim de contas, o paradigma desta arquitetura havia sido formado, no tempo da construção de Brasília, com o alto intuito de edificar um povo novo e moderno.



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