Reader Comments

Literatura Soviética E O Realismo Socialista

"Maria Ana Luiza" (2018-06-06)

In response to essay dune
 |  Post Reply

Nos anos trinta do século XX, o período de relativa tolerância criativa e da autonomia dos autores e artistas terminou-se na Rússia Comunista. Adestrada pelo partido, a literatura soviética e as demasiado artes deveriam escoltar a doutrina oficial. A ordem era engajar-se com ardor pela tarefa de montar a sociedade igualitária futura ante direção infalível do camarada Stalin, pai provedor e guia espiritual da nação. A nova fase artística seria orientada pelos cânones proletários do Realismo Socialista (expressão obviamente criada por Stalin). Foi este o sumário do discurso pronunciado pelo comissário Andrei Zhdanov na abertura do Iº Congresso dos Escritores Soviéticos, praticado em 1934, com trágicas conseqüências pra história das letras do estado.


Podes-se comprovar que as exigências do partido foram o tiro de misericórdia pela enorme literatura russa que em tal grau encantou e espantou o Ocidente, sepultando ju7nto as experiências dos modernistas. Eu não poderia me esquecer de nomear um outro website onde você possa ler mais a respeito de, quem sabe agora conheça ele no entanto de qualquer maneira segue o link, eu adoro muito do assunto deles e tem tudo haver com o que estou escrevendo por este post, leia mais em clique no seguinte site da internet. Depois de quase duas décadas, de 1910 a 1930, as vanguardas artísticas e estéticas européias estavam por comparecer a um fim. O ocaso resultou de um conjunto de fatores que iam desde a exaustão do experimentalismo, até a ascensão de regimes ditatoriais pela década de trinta indispostos à tolerá-las. A devastadora Crise de 1929 no Ocidente, causador da ascensão dos ditadores fascistas, e os Planos Qüinqüenais na Combinação Soviética de Stalin, abalaram profundamente a independência imaginativa até então alcançada.


Em anos anteriores, nos começos da revolução, no momento em que a batuta do comissariado da cultura estava com Anatoly Lunacharsky, um bolchevique ilustrado e de temperamento liberal, todos os tipos de espetáculos dramáticos representados frente às multidões foram estimulados pelas autoridades. A teoria da carnavalização de Mikhail Bakhtin, que testemunhou esses espetáculos públicos em Petrogrado no tempo pós-revolução, deriva daí. Deu-se em vista disso o império dos vanguardistas.


Não que a tolerância predominasse. O inferno do morticínio entre vermelhos e brancos, prosseguiu Zhdanov, agora fazia parte do passado, a reconstrução do estado se completara, sem demora, expurgados os elementos da economia capitalista que ainda restavam, era o momento do salto em direção ao socialismo. Hora de ceder um basta na iconoclastia e irreverência dos tempos anteriores e usar-se a forjar uma nova cultura: uma contrafação saudável à decadência literária da burguesia ocidental, atolada na pornografia, niilismo e misticismo. Soara a vez do Realismo Socialista.


Estavam eles obrigados, pois que, a idealizar romances, peças e novelas que estivessem ao grau do povo russo em geral, sabidamente muito baixo, e que não abrigassem truques experimentais ou personagem complicado que confundissem ou embaralhassem os leitores. Além do mais, havia uma arraigada crença de que os experimentos dos modernistas não passavam de importação, de estrangeirismos que insuficiente tinha com a comoção ou a estética russa. O termo Realismo Socialista surgiu por primeiro pela oficialista Gazeta Literária, de maio de 1932, apresentada como "demanda das massas por uma arte honesta, verdadeira e revolucionária" que de fato representasse a revolução proletária.


Máximo Gorki voltou a usar a mesma frase para citar-se à necessidade de se elaborar algo baseado só pela experiência socialista. Para aplainar a trajetória do novo dogma, 2 anos antes, em 1932, todas as associações e organizações das artes&letras que existiam pela União Soviéticas foram abolidas. Ou se pertencia a União dos Escritores, controlada pelo regime, ou ninguém poderia digitar fosse o que fosse.


  • Armações de Óculos

  • Árvores de eucalipto são utilizadas para fabricação de papel e celulose

  • Movimento Tenentista

  • 4 - emitir documento fiscal declarado extraviado ou inutilizado

clique no seguinte site da internet

Os que incomodassem seriam expulsos ou banidos, e também denunciados como "antipovo", particularmente os que incorriam no pecado do "formalismo", sentença corrente pela data pra categorizar tudo o que não correspondia às determinações estéticas do partido. Por semelhante, a desabusada intromissão nas artes decorreu da concepção que Lenin tinha do papel delas como instrumento a ser explorado ideológica e partidariamente pra fins educacionais e de mobilização das massas.


Desta forma, aqueles dedicados às artes&letras viram-se convocados a servirem como agentes de propaganda aos projetos do Estado Soviético em sua faina gigantesca da "construção do Comunismo". Como escrevera Gorki no Pravda (4/12/1934), "a honra, a glória e o heróico, se tornaram tão familiares aos soviéticos que nem mesmo era percebida na imprensa". Era tarefa para décadas, algo que transcendia gerações. Partidária, sempre se colocando na linha definida pelo partido comunista.


Eugeni Zamiatin, resoluto, corajoso, não querendo de modo nenhum acompanhar ativo naquelas condições, enviou uma carta pessoal a Stalin pedindo pra sair do estado. Milagrosamente o tirano concordou. Isaac Babel, o inesquecível autor de "A Cavalaria Vermelha", obra de 1926, e alto quadro do partido, não quis mais se esforçar ao métier. Mesmo sendo considerado como um dos mais conhecidos contistas soviéticos, disse a André Malraux, o escritor francês que estava presente no Congresso, que além de ser "mestre clique no seguinte site da internet gênero do silêncio" iria viver como vendedor de roupas.


Não cumpriu completamente com o que comentou. Destino tristemente similar teve o diretor do teatro experimental soviético Svevolod Meyerhold, que apesar de ter 66 anos, levou bem como um tiro pela nuca nos porões daquela mesma prisão. O reservado ao poeta Osip Mandelstam, autor do "A Expectativa Abandonada", foi um pouco diferenciado. Encarceraram-no a primeira vez em 1934 por ter escrito um epigrama contra Stalin: "Ele trata os crimes como negócio/ o brutamontes da Ossétia (localidade da Geórgia onde Stalin nascera). Porém o ditador não o puniu com o rigor dos campos de serviço e sim com desterro.


Comunismo", todavia que no encerramento se convertia à razão. Era um mundo maniqueísta, do preto e branco, de aliados contra oponentes, clique no seguinte site da internet qual a figura central observou mais tarde Ylia Ehrenburg, "era retratada com o pincel de um medíocre pintor de ícones.". Parece não existir até nos nossos dias um levantamento mais detalhado do total de escritores, artistas e pensadores que foram aprisionados, levados a executar pena no Gulag (o sistema de campos de concentração soviético), ou simplesmente executada à bala.


A perseguição e extermínio da intelligentsia russa instituída pelos bolcheviques começaram no ano de 1921, ainda sob Lênin. Outros se anteciparam ao infeliz final. Os que conseguiram ainda manterem-se vivos depois daquilo tudo, escritores&artistas, tiveram seus cérebros como que congelados, robôs controlados por uma poderosa burocracia que adquirira horror à alteração ou à inventividade. Nomes como os de Ilya Ehrenburg e Boris Pasternak sobreviveram só por um capricho do ditador, que pessoalmente os apreciava.



Add comment