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Rede wireless

"Marvio Luca" (2018-08-24)

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Quando nos deparamos com uma necessidade de investimento no chão de fábrica, seja para uma nova implantação ou pela necessidade de modernização, não estamos falando apenas do hardware ou software a ser utilizado no projeto. Também precisamos pensar como esse novo ativo/solução irá se relacionar com as demais áreas e equipamentos correlatos. Com a rápida evolução da tecnologia, que podemos notar com a popularização de serviços de streaming, como Spotify, Youtube, Netflix, cada vez mais somos dependentes do acesso à uma rede de dados em alta velocidade.

Isso pode ser visto também no chão de fábrica, com a implantação da terceira revolução industrial, na qual o chão de fábrica recebeu investimentos em sistemas de automação, iniciou-se uma corrida pela conectividade, que tem aumentado cada vez mais a necessidade de comunicação e coleta de dados de dispositivos que, até pouco tempo atrás, não tinham nenhum tipo de comunicação, exceto sinais discretos ou analógicos. Essa mudança tem aproximado o nosso ambiente de TA, que até então estava restrito ao chão de fábrica, ao ambiente de TI que antes atendia apenas ao ambiente administrativo. Com isso, os fabricantes de infraestrutura de rede têm, cada vez mais rapidamente, desenvolvido soluções que permitam a conexão entre estes mundos de TI, TA e wifi empresarial, de maneira que seja possível aos sistemas acessarem os dados e entregarem informações mais relevantes integrando toda a cadeia, de clientes à fornecedores.

Estudos realizados apontam que a maior parte do investimento realizado em projetos é dispendido em Software/Mão de Obra (entre 50% e 60%) e Hardware (30-35%), enquanto a menor parte do investimento é destinado ao cabeamento (entre 5% e 10%). Quando olhamos pela óptica da aplicação, essa relação de importância se inverte, já que o cabeamento é o responsável por suportar as aplicações. Ele literalmente “conecta” os vários dispositivos e é responsável pelo fluxo dos dados entre o chão de fábrica e as aplicações, principalmente quando pensamos nos conceitos da quarta revolução industrial – Indústria 4.0, e da Internet das Coisas. Muitos projeto wifi nos quais não é dada a devida importância ao “barramento”, fatidicamente apresentam problemas durante o start-up, já que um cabeamento mal instalado/especificado pode ser responsável por mais de 60% dos problemas de desempenho de rede, normalmente os mais difíceis de serem identificados, sem uma instalação baseada em projeto e com certificação dos pontos.

Outro ponto importante a ser observado é que para isso os investimentos feitos na nossa nova infraestrutura de redes de automação não sejam depreciados ou se tornem obsoletos em um curto período de tempo. Um dado interessante sobre isso: Em um ambiente de TI, o cabeamento estruturado de uma rede é projetado para ter uma vida útil maior do que 10 anos, enquanto os ativos e softwares têm uma vida de útil entre 3 e 5 anos. No ambiente industrial essa relação chega a ser o dobro, pois é um cenário no qual temos pouca disponibilidade de tempo para melhorias, já que o foco é a obtenção do retorno do investimento através da produção eficiente e com alta disponibilidade de maquinário. Os ativos como inversores, controladores, IHM’s, etc, tem uma expectativa de vida de até 10 anos, enquanto o cabeamento chega a ter quase 20 anos, cenário comum em várias unidades fabris de hoje em dia.

Isso nos leva a seguinte constatação – o projeto wifi nos quais estamos trabalhando hoje precisam contemplar o cabeamento, e este necessita suportar, no mínimo, duas mudanças de tecnologia! Na prática, isso significa que o hardware, seja num ambiente administrativo ou industrial, terá uma rápida evolução e demandará cada vez mais largura de banda ou potência de sinal, para poder entregar os dados que serão cada vez mais demandados por aplicações e sistemas de controle, e isso implicará diretamente no investimento em uma infraestrutura a prova de futuro.

Existem diversas normas nacionais e internacionais que tratam deste tema, sobre o cabeamento e sobre seus componentes para os mais diferentes tipo de ambiente onde estão sendo utilizados. Todas, independentemente do cenário em que estivermos trabalhando, são unânimes:

– A Categoria 5e já não é recomendada para novas instalação de rede wifi, já que ela está no seu “estado da arte”, sem possibilidades de melhoras significativas e não conseguirá suportar o novo hardware que virá;
– A Categoria 6 é o mínimo recomendado por normas, já que entrega uma velocidade de banda que muito dos hardwares atuais já têm empregado, o Gigabit;
– A Categoria 6A é a recomendada para novas instalações, já que foi projetada para assegurar a largura de banda de 10 Gbps e tem imunidade contra uma série de fatores, como o Alien Crosstalk, que é um dos principais limitantes para redes de alta velocidade.

 

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